As 5.150 letras publicadas referem a fonte de extração, o que nem sempre quer dizer que os artistas mencionados sejam os seus criadores !!!
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<> POR FAVOR, alerte-me para qualquer erro que encontre <>
<> Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo, só todos juntos sabemos alguma coisa <> PAULO FREIRE
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Que seja assim

Letra e música de Hélder do Ó
Repertório do autor

Que eu respire em ti o ar fresco da manhã
Que eu seja em ti a força p’ra mais um dia
Que o nosso amor seja o ventre da romã
A desfazer-se em bagas doces de alegria

Que o teu olhar seja uma doce carícia
Que o meu desejo seja sempre o teu olhar
Que a nossa vida ultrapasse a fantasia
Temos no peito uma roseira a despertar

Que o nosso beijo seja sempre uma constante
Mas que o sintamos duma forma desmedida
Que o queiramos sempre mais, porque sabemos
Que o amor é a razão da nossa vida

Ouve lá ó pá

Letra e música de Alberto Janes
Repertório de António Mourão

Ser fadista é ser poeta, ambos são
O produto do poder do sentimento
O poeta dá aos versos, coração

O fadista pôe a alma no talento

P'ra que o fado possa ter uma expressão
Não importa a fatiota do artista
Tem que haver a emoção, senão então

Quem canta está fingindo que é fadista

Ouve lá ó pá, vem cá, vê
Se entras no tom que é
P'ra seres fadista, serás aprumado
Pontapé na nota com batota
Desafinado até
Não pode ser, nem é, próprio do fado

Um fadista é um artista, é vertical
E não é um fantasista, ou coisa tal
Tem a graça da chalaça bem metida
A cantar ou a amar, pôe toda a vida

Mantém sempre com aprumo aquele rumo
Que em tempos de fidalguia foi condão
Chora se vem a desgraça e não passa
Sem dar tudo o que tem ali à mão

A vida e o sonho

Letra e música de Ana Pacheco
Repertório de autora

Tão belo é sempre o sonho
Como a vida
Há sempre uma ilusão que faz viver
Quem sabe onde andará
Talvez perdida
A vida que julgamos merecer
A vida é o sonho e o tormento
A força e a fraqueza da emoção
O encontro, a luz e o momento
Amor, mágica, dor e ilusão

Lisboa mudou

Letra e música de Helder do Ó
Repertório do autor

Sobre Lisboa, meu amor, vou-te contar
A tradição que se perdeu desta cidade
Os seus pregões já não se ouvem no ar
Da sua história ficou apenas saudade

Que é do teu fado vadio, pelas tabernas
Que é dos marujos, outrora navegadores
Que é dos fadistas, dos rufias de melenas
E das fragatas, dos arrais, dos pescadores

Mas mesmo assim és um poema que eu invejo
És a gaivota que ainda põe voz na Ribeira
És um poeta que se inspira no rio Tejo
Tu és princesa e das cidades a primeira

Da velha Bica, só resta a escadaria
No Bairro Alto já não se cantam as trovas
E há missangas a vender, na Mouraia
Na Madragoa, em vez de fado, há bossa-nova

Os teus mercados tão velhinhos das peixeiras
Foram trocados por centros comerciais
Do casario baixinho e rude, hoje há Taveiras
E carroças a gizalhar, já não há mais

Faz-me pena, coração

Mário Rainho / João Maria dos Anjos
Repertório de Fernando Jorge


Faz-me pena coração
Que não saibas dizer não
Digas sim a quem me apouca
Pois se vives no meu peito
Porque te trago, imperfeito
Coração, ao pé da boca


Comanda a lua as marés
Tal como a lua tu és / Quando fazes desmaiar
Ondas, lágrimas de sal
Que agigantas, por meu mal / Nas praias do meu olhar

Pulsas, como adolescente
Por alguém, que me é ausente / Esse amor que não me acalma
Dás-me, por pouco ou por nada
A lençóis de madrugada / Onde me deito sem alma

Faz-me pena coração
Que a quem te quer digas não / Digas sim a quem não devas
Só espero que, nesta idade
Não me mates de saudade / Coração, tu não te atrevas

Era o fado

Valentim Matias / Eduardo Lemos
Repertório de Valentim Matias 

Procurei-te em Alfama / Fácilmente te encontrei
Nesse bairro onde tens fama / E te ama como rei

Mas nesse novo dia / Voltei a te encontrar
Com grande fidalguia / Num palácio a cantar

Era o fado 
Gemido e chorado e até adorado
Que eu fui encontrar
O fado senti e a ele me prendi 

P’ra não mais deixar

Quantas vezes te encontrei / E afinal que sei eu
Nem sequer te perguntei / Se eras burguês ou plebeu

Ficas sempre entusiasmado / Quando cantado com garra
Não dispensas a teu lado / O trinar duma guitarra

Costumei tanto os meus olhos

Quadras populares / Popular *fado das horas*
Repertório de Ana Pacheco 

Costumei tanto os meus olhos
A namorarem os teus
Que de tanto confundi-los
Já nem sei quais são os meus

Vem cá dizer-me que sim
Ou vem dizer-me que não
Porque sempre vens assim
Perto do meu coração

Ó meu amor se te fores
Leva-me podendo ser
Que eu quero ir acabas
Onde tu fores morrer

Esquina da minha rua

Américo Patela / Rocha de Oliveira
Repertório de Celeste Rodrigues

Quem me dera, sonhos meus
Ser verdade o meu desejo
Ver o que há tanto não vejo
Na rua da Primavera

Primavera de esperança
Que dentro em mim continua
A viver a semelhança
Desses tempos de criança
Na esquina da minha rua

E já lá vão esses tempos de ventura
A verdadeira razão
Da minha grande amargura
E a saudade que faz de mim presa sua
Levando o meu pensamento
P'ra esquina da minha rua

A tão triste fim pertenço
Que de mim nada consigo
Anda a tristeza comigo
E de outro modo não penso

Chego a ser vida sem vida
Que vive noite sem lua
Sentindo a vida perdida
A vaguear esquecida
Na esquina daquela rua

Estarei onde?

Ana Pacheco / Loreena Mckennit
Repertório de Ana Pacheco

Pássaros com rosas vejo voar
Ventos de trovas enchem o ar
No mar se quer ir naufragar;
Estarei onde?
Não dei por chegar

Olhos que sorriem no meu olhar
Braços que me chamam
Num longo abraço
Prados que se estendem a cada passo;
Estarei onde?
Não dei por chegar

E tempo não anda
Não pára, não corre nem envelhece
Paira nos braços que nos enrolam
Dança e adormece

Fica nesta saudade

Mário Rainho / Frutuoso França *fado jovita*
Repertório de José Alberto

Deixa que fique, em mim, aquele gosto
Dos beijos, que me deste nessa era
Que tinham o calor do sol de Agosto
E o fresco das manhã de primaveras

Deixa que fique, em mim, essa lembrança
Dum tempo em que o amor, na nossa mão
Brincava, com jeitinho de criança
No balancé do sonho e da paixão

Deixa que fique, em mim, sempre presente
Esse sabor de ti naquela idade
Pois quero meu amor, eternamente
Que tu fiques em mim nesta saudade

Fado das cerejas

José Gago / José António Sabrosa *fado pintadinho*
Repertório de Ana Pacheco 

Tão doces, apetitosas
E vermelhinhas de cor
As cerejas como as rosas
Trazem perfume ao amor

As cerejas não são ginjas / Nem se podem comparar
Com este medo que finjas / Que me amas sem amar

Não sei se sou quem desejas / No mês de maio ou agosto
Mas tu, tal como as cerejas / És o fruto de que mais gosto

Oxalá Deus me proteja / De mágoas e desconsolo
Que seja eu a cereja / Bem no cimo do teu bolo

O tempo que não vivi

Letra e música de Manuel de Almeida
Artur Ribeiro / Reynaldo Varela 

No domingo passei com uns amigos
A tarde numa adega de Caneças
Motivo p’ra lembrar tempos antigos
De farras com cantigas e promessas

Falamos, entre dois copos de vinho
Das tardes no Gingão e no Sisudo
Das noitadas de fado no Charquinho
E na dança da Bica no Entrudo

Baile dos Quintalinhos tão cantado
As festas da Atalaia e das Mercês
Bons tempos, quando o fado era mais fado
E o amor, mais amor, mais português

Destas coisas que o povo consagrou
Que apenas pela história conheci
Chego a sentir, fadista como sou
Saudades dos tempos que não vivi 

Preciso de ti

Letra e música de Manuel de Almeida
Repertório do autor 

Preciso de ti
P’ra afastar a solidão
Das minhas noites vazias
Preciso de ti
P’ra sacudir a pressão
Que prende os meus longos dias

Preciso de ti para viver na certeza
Que o mundo não me esqueceu
Preciso de ti p’ra correr com a tristeza
Que a tua ausência me deu

Preciso de ti para que o sol brilhe mais
Nas minhas horas sem luz
Preciso de ti, porque sem ti é demais
O peso da minha cruz

Preciso de ti p’ra voltar à realidade
E chorar os meus fracassos
Preciso de ti p’ra correr com a saudade
Que anda a seguir os meus passos

Marcha do Alto do Pina

César de Oliveira / J.A.Ramos / Carlos Dias
Repertório de Amália

Quando o sol sorri sobre Lisboa
Logo o Alto Pina vai beijar
E saudar a gente boa
Que parte p’ra trabalhar

Mas a noite chega e surge a lua
Pr’animar os bailaricos
Toda a gente vem p’ra rua
E no ar flutua cheiro a manjericos

Aqui vai o Alto Pina // E ninguém lhe ensina
A ser mais popular
Traz na boca essas cantigas // Que as raparigas
Tanto gostam de cantar
Pula a fogueira num salto
P’ra manter a tradição, um balão
O nosso bairro ilumina
Erguido no alto, no Alto do Pina

Vamos lá cantar, deixem o resto
Venham cá ao bairro para o ver
É pitoresco e modesto
Mas alfacinha a valer

Alegre cantando a marcha passa
Airosa, fresca e ladina
Mostrando bem toda a raça
Que leve esvoaça no Alto do Pina

Cuidadinho meu bem

Popular c/arranjos de António Chaínho / Mário Martins
Repertório de António Mourão 

Cuidadinho meu bem, cuidadinho
Cuidadinho no modo de andar
O teu corpo é uma luz
Ai... que cega a quem o olhar

Ai... que cega a quem o olhar
Bem de frente na boca vermelha
Cuidadinho meu bem, cuidadinho
Com o brinco dessa tua orelha

Dessa orelha que brinca a bailar
Com um brinco que é d'oiro pesado
Cuidadinho meu bem, cuidadinho
Que o diabo é um descarado

Descarado como o teu sorriso
Descarado como o teu olhar
Cuidadinho meu bem, cuidadinho
Que o diabo anda à solta a espreitar

A espreitar ando eu e o diabo
Ai à tarde quando o sol desmaia
Cuidadinho meu bem, cuidadinho
Ao tirares o corpete e a saia

Lisboa em festa

Aníbal Nazaré / Ferrer Trindade
Repertório de Amália 

Hoje é dia de festa na cidade
Lisboa veio prá rua p’ra cantar
Mas achou que era fraca a claridade
Que lhe vinha do alto, do luar

Lisboa vista assim, dá gosto vê-la
E nem tanto balão era preciso
Porque cada balão é uma estrela
E cada rapariga um sorriso

Lisboa cá vem
Risonha a cantar
Vá, deixem passar as raparigas
Lisboa cá vem
Que a venha escutar
Quem queira aprender novas cantigas
Cantar uma trova
E sem ter fadiga
P’la cidade inteira andou à toa
Na Lisboa nova
Na Lisboa antiga
Lisboa é sempre Lisboa

Quando Lisboa vem cantar p’rá rua
Para alegrar os nossos corações
Parece que no céu a própria lua
Se debruça a ouvir suas canções

Os bairros da cidade estão em festa
Os santos têm na rua aos seus altares
E não há noite alegre como esta

Que é dedicada aos santos populares

Se me dão a solidão

Fezas Vital / Acácio Gomes *fado acácio*
Repertório de Fernando Jorge 

Se me dão a solidão
Com sete pedras na mão
Só porque eu falo verdade
A minha casa vazia
A minha cama tão fria
Serão a minha cidade

E por cada madrugada
Que me encontre só, na estrada
Que vai de mim até mim
Farei arder uma flor
A que chamarei amor
Mesmo que seja o meu fim

Depois, podem vir lavar
As vossas mãos no olhar
Que trago triste e vazio
Ai minha mãe, que cansaço
Fora o mundo o teu regaço
E eu morreria sem frio

Vem amar-me

Valentim Matias / Eduardo Lemos
Repertório de Valentim Matias 

À janela foi onde eu te vi / À tardinha quando ali passei
Eu olhei, tu sorris-te p’ra mim / Desde então, nunca mais descansei

Passo os dias a contar as horas / Esperando de novo te ver
Este coração não tem melhoras / Está cansado de tanto bater

Já sonhei que senti nos meus lábios
O calor da tua boca ardente
Já sonhei que senti o teu peito
A bater de maneira diferente;
Já sonhei que me amavas também
E que o sonho era  a realidade
E afinal porque esperas meu bem
Vem amar-me mesmo de verdade


Imagino esses teu cabelos / Quando estão nos teu ombros caídos
Só de longe eu consigo vê-los / E me fazem mexer os sentidos

Desce amor, dessa tua janela / Para que eu te possa falar
E me tornes a vida mais bela / E acordado eu fique a sonhar

Que sonhei que senti nos meus lábios
O calor da tua boca ardente
Que sonhei que senti o teu peito
A bater de maneira diferente;
Que sonhei que me amavas também
E que o sonho era a realidade
E afinal porque esperas meu bem
Vem amar-me mesmo de verdade

Faço da noite o meu manto

António Rocha / Alvaro Duarte Simões *meia noite e uma guitarra*
Repertório de Celeste Maria 

Eu faço da noite o manto
Com que cubro a minha dor
É nela que sofro e canto
Saudades do teu amor

Lembranças minhas e tuas
Vão comigo pelas vielas
Luar de prata nas ruas
Meu peito, noite sem estrelas

Restos de um sonho perdido
Cobertos p’lo negro manto
São este fado vencido
Que tristemente vos canto

Fado é verdade

Valentim Matias / Eduardo Lemos
Repertório de Valentim Matias 

Meu amigo ouve bem o que eu te digo
O fado não é castigo de ninguém
Fado é verdade, ternura, realidade
Com mistura de saudade
Mas sabe bem

Canta ao amor, por vezes ao sofrimento
Ou é lamento de quem o canta
Traz alegrias, histórias de todos os dias
E inventa nostalgias na garganta


A guitarra é o braço a que se agarra
E convida para a farra numa boa
Marialva, que se deita embriagado
Com a garina a seu lado
Fado é Lisboa

Uma rosa especial

Valentim Matias / Alves Coelho *fado maria vitória*
Repertório de Valentim Matias 

Sabemos que o rosa é cor
Rosa também é mulher
Além da cor e do amor
A rosa também é flor
E não uma flor qualquer

Há rosas que vestem linho / E usam finos bordados
Espalham escolhos p’lo caminho
Quando cravam seu espinho / Em corações destroçados

Rosa vermelha atrevida / A que chamam feiticeira
Por vezes é rosa esquiva
Mas é minha preferida / Por ser rosa verdadeira

E nesta história de rosas / Todas têm seu papel
Outras ficaram famosas
Ao passar de pão a rosas / No regaço de Isabel  

Ciúmes da guitarra

Artur Ribeiro / Miguel Ramos *fado margarida*
Repertório de Ada de Castro 

Guitarra, porque ris enquanto canto
Não vês que tenho os olhos rasos d'água
Fazes parte de mim e no entanto
Nem sempre vais ao tom da minha mágoa

Se me sinto feliz é quando choras
Se choro, logo trinas a meu lado
Guitarra pensa bem que já são horas
De tu andares ao jeito do meu fado

Eu sei que tens razão, mas francamente
Uma guitarra assim, não acho bem
Tu sabes mais de mim que toda a gente
E não gostas que eu chore por ninguém

Lamentos

Letra e música de Ricardo Espírito Santo
Repertório de Fernando Farinha 

Porque mentes tanto
Mentes sem cessar
Mentira é a luz do teu olhar
Mentes quando falas

Mentes quando te calas
Mentira é o teu riso e o teu pranto

Mentira é o teu corpo fremente
As tuas carícias, os teus beijos
Falso é o calor fugaz da tua pele ardente
E o ardor dos teus desejos

Dentro do teu peito

Tudo é de tal jeito
Que nem tu própria sabes o que sentes
Os teus pensamentos

Ao sabor dos ventos
Que nem tu dás por isso, quando mentes

Mas se assim em ti, tudo é mentira
Mente uma vez mais, por caridade
Diz-me que é o desvairo do ciúme que m’inspira
Que o teu amor é verdade
Que o teu amor é verdade

Quero e não quero encontrar-te

Valentim Matias / Jaime Santos *fado alfacinha*
Repertório de Valentim Matias

Quantas vezes já chorei
Sem encontrar um motivo
Mentira, porque bem sei
Que choro p’ra estar contigo

Tento enganar o meu eu / Tento esquecer a paixão
Há algo que se perdeu / E eu teimo nesta ilusão

Quero e não quero voltar / Com receio de sofrer
Quero e não quero encontrar / Para voltar a perder

Não sei o que vi em ti / E não vi em mais ninguém
Não sei quando te perdi / Nem se foi mal ou foi bem

Mentira

Guilherme Pereira / Armando Machado *bolero do machado*
Repertório de Maria da Conceição 

Podes dizer, não te quero
Que eu não creio em teu dizer
Se me falasses sincero
Era melhor não te querer

Tu finges só por maldade
É fingida essa indifrença
Pois não há quem me convença
Que me dizes a verdade

Perder-te, não posso viver sem ti
Ao ver-te logo por ti me perdi


Quando amor por mim não sintas
Por amor perdoa a cena
É melhor amor que mintas
Que eu morra de amor e pena

À verdade que me fira
Se me mata essa verdade
Eu prefiro uma mentira
Que mintas por piedade

Nas cantigas que aí vão
Verás riso e verás calma
Dentro de meu coração
Pedaços da minha alma

Sangue do meu coração
Pedaços da minha alma

Perdi-me na madrugada

Maria Helena Reis / Frederico de Brito *fado da azenha*
Repertório de Fernanda Maria 

Em certa noite encontrei
Perdidos na madrugada
Os meus sonhos de criança
Depois sozinha lembrei
Essa infância tão amada
Cheia de sol e de esperança

E nessa noite eu sorri
Da vida que vivo hoje / Do amor da nostalgia
E ri-me também de ti
E do mundo que me foge / Cada vez mais dia a dia

Mas essa noite acabou
Essa noite em que eu senti / Que também feliz já fora
Agora não sei quem sou
Se uma mulher que ri / 
Se uma criança que chora

Princesa *enxerto*

Ary dos Santos / Armandinho *fado alexandrino antigo
Repertório de Valentim Matias 

Era uma vez um país na ponta do fim do mundo
Onde o mar não tinha eco, onde o céu não tinha fundo
Onde longe longe longe, mais longe que a ventania
Mais longe que a flor da sombra, Oou a flor da maresia

em sete lagos de lume, sete castelos de sal
Sete cristais de perfume, sete lâmpadas de vinho
Sete punhais de ciúme, Ssete coroas de azevinho
Sete pétalas de mel, sete pulseiras de sal

Uma princesa vivia com sete véus de coral
Sete estrelas por docel, sete pedras por degrau
Sete nuvens por anel e sete céus por caminho
Era uma vez um país na ponta do fim do mundo


Onde o mar não tinha eco, onde o céu não tinha fundo
Onde longe longe longe, mais longe que a luz do dia
Mais longe que a flor da sombra ou a flor da ventania
Uma princesa nascia da corola do seu tempo
Enquanto a neve caía dos seus dois braços de vento

Oceanos e marés

Leonel Moura / Daniel Gouveia *fado daniel*
Repertório de Leonel Moura 

Fui homem do mar um dia
E quando o barco partia
Levava a recordação
Também levava sinais
Da tua imagem no cais
Envolta na multidão

No mar que é traiçoeiro
Na rota de um marinheiro / Uma onda se revolta
Nos meus sinceros desejos
Mando-te abraços e beijos / Nas asas de uma gaivota

Nesse mar azul e forte
Tomava o rumo do norte / Em águas que naveguei
E os ventos em calmaria
Trazem lembraça do dia / Que o teu amor encontrei

Oceanos e marés
Desse mar de lés a lés / Que embalam meu navegar
Levem de vez esta dor
Tragam de volta o amor / Nas calmas ondas do mar

Bom tremelique

José Fernandes Castro / Neca Rafael *fado da foz*
Repertório de Zé Carvalho

Chama-se “Bom Tremelique”
O restaurante mais chique
Da  minha cidade amada
Neste solar português
Uma dose dá p’ra três
Se dois... não comerem nada

Há rissóis de camarão
Há croquetes de vitela... servidos com aparato
Mão de vaca sem ter mão
Há arroz de cabidela.... feito com sangue de pato

Língua de boi sofredor
Coelhinho à sacador... e bife à moda da casa
Temos leitão da Bairrada
E temos uma pomada.... que nos põe de grão na asa

Ovos moles ou mexidos
Pescadinha da graúda.... com o rabo na boquinha
Temos carapaus cozidos
E  temos uma miúda.... que faz coisas na cozinha 

Excelente linguado
Com molho de berbigão... tudo feito com ternura
E como prato afamado
Temos o tal salpicão... com o bom grelo à mistura

Sobremesas variadas
Bananas e marmeladas... sempre servido a preceito
É tudo à moda do Porto
E se a coisa der pró torto... há solha a torto e a direito

Doce Maria da Paz

Valentim Matias / Eduardo Lemos
Repertório de António Pinto Basto 

Cabelos negros, de pele morena, veludo
Olhos de amêndoa , dizendo
Que o que se vê não é tudo
De olhar tão doce, parece pedir perdão
Como se pecado fosse
Nascer com um tal condão

Espalhas amor/ Em tudo o que te rodeia
O teu corpo é a flor/ Preferida da colmeia
E nos teus lábios / Há sabor a doce mel
Teus sentimentos são sábios / Retiras da vida o fel

Caminhas sempre, pés bem assentes no chão
Respondes sempre presente
Ao chamar do coração 
E no teu peito onde a guerra se desfaz
Eu te canto o meu respeito
Doce Maria da Paz

Fado português 2

António Torres / Fernando Ferreira / Alves Coelho 
Repertório de Nuno da Câmara Pereira 

Da guitarra o doce arpejo / Nem toda a gente o entende; 
O fado é tal qual um beijo / Dum ser que à vida nos prende

Pra se ter ao fado amor / Basta ouvi-lo uma só vez
Mas tem muito mais valor / Quando canta um português

Ouvindo a linda canção / Ninguém se pode conter
É tão grande a comoção
Que no peito o coração / Pula sempre de prazer

Sabe tão bem ouvir o fado bem cantado
Numa noite de luar
Que encantos tem, triste balada, doce toada
Que até nos convida a amar

Da guitarra o doce arpejo / Nem toda a gente o entende
O fado é tal qual um beijo / Dum ser que à vida nos prende

Quem canta seu mal espanta / Quem sofre, sabe cantar
O fadinho prende, encanta / Fazendo as mágoas passar

Esta balada dolente / Faz esquecer todo o mal
O fado dá alma à gente
E será eternamente / A canção de Portugal

Luz

Letra e música de Fernando Girão *fado maria girão*
Repertório De Cláudia Leal 

És a luz da minha vida, a razão do meu querer
E eu sem ti não sei viver
Sei que nasci só para amar-te
E a criança que há em mim não vai desaparecer

Eu quero ser sempre a dona dos meus sonhos
Contigo irei à procura de quem somos nós
Aprendi a não chorar se por acaso errar
Não importa o que sou se for feliz
Escrevendo o meu destino

Assim eu invento o nosso mundo
Na magia da emoção que vive junto a nós
É tudo o que eu quero ter, além de ti
Quando estás ao meu lado
Posso enfrentar o mundo
Posso tudo fazer se for contigo,  eu sei

Guerreiros do amor nas lutas do bem
Amantes e irmãos também
Amantes e irmãos
Seremos nós por toda a vida
E assim será eterno o nosso amor
E assim será